B L O G

Foto: Thea Boldt

Foto: © Thea Boldt

DAR
texto: Chögyam Trungpa; fotos: Thea Boldt
“Dar e abrir-se não é algo particularmente doloroso, quando vocês começam a fazer isso. No entanto, a ideia de dar e abrir-se é muito dolorosa. Quando alguém pede que vocês deem, deem um salto, a sensação é horrível. Não querem fazer isso, embora sejam um tanto tentados pela ideia. ‘Talvez eu faça alguma descoberta, ou talvez eu perca tudo.’ Vocês podem continuar com essa mente curiosa e dar, abrir-se mais, abrir-se completamente! Cedo ou tarde vocês farão isso, então, quanto antes, melhor. Espero que isso não seja muito complicado. Fundamentalmente a única coisa que estamos discutindo aqui é dar. É bastante simples: dar e ausência de agressão. Quando damos, quando abrimos os olhos e os ouvidos e tudo foi completamente purificado, quando vemos completamente através de tudo, o resultado final é uma repentina experiência de precisão.

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(*) English version: because of copyright issues, only some pages have an English version.
The English version of this text is available through Google Books: http://bit.ly/bfSEzv.

A ARTE COMO PRÁTICA ESPIRITUAL
texto: Meredith Monk; fotos: Erin Koch
“Como artistas, estamos sempre lidando com o medo, sempre que começamos uma nova obra, porque então estamos nos permitindo nos expor ao desconhecido. Basicamente, é uma tela em branco, começamos do nada, nada sabemos. Cada vez que criamos uma obra, o medo está sempre lá, sempre o estamos trabalhando, brincando com ele, permitindo que o interesse e a curiosidade pelo que fazemos se torne mais forte que a ansiedade. Então de fato ultrapassamos o medo, e surge um sentido de descoberta.

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INTELIGÊNCIA ESPONTÂNEA: ENTREVISTA COM ALLEN GINSBERG
texto e desenhos: Allen Ginsberg; fotos: Peter Orlovsky, Rachel Homer e Cynthia MacAdams
“Penso que todos têm uma inclinação natural para a compaixão. Ela acaba sendo encoberta pelas frustrações, pela ignorância, más experiências, karma negativo, mas, como dizem, por baixo disso, todos têm uma natureza búdica, que é compassiva. É exatamente o oposto da visão hobbesiana, para a qual sob todo homem há um animal rosnando. Basicamente, essa visão negativa está por trás de muitas filosofias neoconservadoras e até mesmo liberais. De certa forma, o ponto do budismo é ouro puro. Não acho que já tenha sido elevado popularmente a fonte de encorajamento, como inspiração política ou pessoal. Todos têm uma vida para viver e têm uma tendência de bodhisattvas, todos querem fazer o bem, então, penso que, no âmbito pessoal, temos motivos para ser otimistas. Em uma escala maior, parece não haver nenhuma esperança, a menos que a compaixão se torne o mais disseminado e importante ensinamento sobre como viver. Compaixão por si e pelos outros.”

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KYUDO: KANJURO SHIBATA SENSEI, VIGÉSIMO ARQUEIRO IMPERIAL DO IMPERADOR DO JAPÃO
texto e fotos: Scott Spanbauer
Shibata Sen
sei estava crescentemente perturbado pelas mudanças na sociedade japonesa — uma virada em direção ao materialismo que estava rapidamente tornando o kyudo, de uma arte meditativa, um esporte. Até hoje, Sensei constantemente exorta seus estudantes a praticarem “kyudo da mente, não kyudo esporte”, e a abrirem mão da esperança e do medo de acertar o alvo. A ênfase em vencer dominante no Japão levou-o a aceitar um convite feito por Chögyam Trungpa em 1980 para ensinar no Ocidente. Deslocando a ênfase da forma, cada vez mais ele aponta como os estudantes podem juntar mente e meditação.
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A ZEN E O GUERREIRO
texto: Meredith Monk, Frans Krajcberg, Ernane Guimarães Neto e Teixeira Coelho; fotos: Henrique Raucci
“Não sei se conseguiríamos uma ação política real a partir da visão de uma escultura. Sinto que, em nossa cultura, especialmente hoje — com velocidade e informação demais —, podemos, com nossas apresentações, quebrar certos hábitos de percepção, literalmente parar padrões habituais desse nosso sono. É assim que se podem acordar as pessoas. Se podemos torná-las cientes de seus próprios hábitos de percepção, eliminamos o blablablá, de modo a fazer pensar no agora. É isso que podemos fazer como artistas. Não sei se conseguimos chegar a pôr as pessoas em ação. [...] Talvez as pessoas nem precisem mais de arte, pois estão ocupadas pela mídia, ocupadas em ficar adormecidas. Não têm paciência e não querem profundidade. Precisamos de experiências fora do filtro, não precisamos de tanta informação. Experiências diretas, que talvez sejam desconfortáveis, que contêm silêncio, mas que valem a pena” (Meredith Monk).
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O PRINCÍPIO DO DRALA (2): O LUXO DE EXPERIMENTAR A REALIDADE
texto e fotos: Bill Scheffel
Quando nos damos conta do “luxo de experimentar a realidade”, simplificar não é uma dificuldade, e sim algo natural — e as coisas naturais tendem a ir muito bem se permitimos. Simplificar fornece a base para arriscar. Temos não apenas a possibilidade, mas também a responsabilidade de arriscar parte de nossa assim chamada segurança em benefício de encontrar e assumir nosso lugar e, por sua vez, ajudar os outros. Sem a disposição de simplesmente arriscar, é pouco provável que nos ocorra suplicar por uma visão. O que é visão? É a verdade do coração humano, que existe em um agora fora do tempo e que nunca pode ser descoberto pela esperança e pelo medo.

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O PRINCÍPIO DO DRALA (1): ILIMITADOS CAMPOS DE PERCEPÇÃO
texto: Bill Scheffel; fotos: Bill Scheffel e Devin Scheffel
Nos ensinamentos do drala, cada sentido é considerado um “ilimitado campo de percepção”, no qual existem a visão, sons, sensações “que nunca experimentamos antes” — nunca ninguém experimentou! Cada momento sensorial é um portal para a sabedoria elementar do mundo. Cada percepção é uma percepção pura; da sensação de uma minúscula pedra no sapato ao miado de um gato. Por intermédio desse tipo de percepção, descobrimos que vivemos em um mundo vasto, singular e inexplorado.
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CRIANDO ESPAÇOS PARA A INTELIGÊNCIA COLETIVA
texto: Michael Chender; fotos: Douglas Dickel
Neste texto, Michael Chender (um dos fundadores do Shambhala Institute — atualmente, Authentic Leadership in Action Institute, ALIA e CEO da Metals Economics, uma das mais importantes empresas de consultoria na área de mineração) trata dos espaços de acolhimento baseados na escuta, ou “espaços contenedores”, que, segundo Chender, são uma das principais contribuições que o ALIA traz ao diálogo com outras abordagens inovadoras, como a Teoria U, o pensamento sistêmico etc. Essa contribuição procura tornar mais efetivas essas práticas, permitindo a apreciação e o acesso à “visão” que as fundamenta, algo que raramente é explicitado.
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AÇÃO, COMPAIXÃO, CRIATIVIDADE
texto: Margot Becker; fotos: Margot Becker e Douglas Dickel
Abrir mão de minhas disciplinas criativas fez com que direcionasse minhas energias criativas para um nível mundano e mesmo assim fascinante, um nível que se manifestou não em romances ou na dança, mas em atos simples que talvez tenham a duração de poucos segundos, um segundo, ou menos. Estando atenta e talvez pegando uma carona na onda, se consigo acompanhá-la enquanto ondula pela orla. Eventualmente, com a prática, conseguimos fazer uma escolha melhor naquele momento minúsculo e eterno, escrevê-lo em uma página mais permanente que o papel, e essa escrita poderá afetar… alguém… em algum momento… em algum lugar…”
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O SIMBOLISMO DA EXPERIÊNCIA
texto: Chögyam Trungpa; fotos: Douglas Dickel
“O tema do simbolismo não interessa apenas a artistas ou a historiadores da arte, e sim a todos que gostariam de compreender e desenvolver a si próprios. O objetivo não é ensinar uma série de truques, mas ajudar-nos a compreender algo sobre nós mesmos, nossa visão da vida e o mundo dos fenômenos em geral. Por sua vez, também poderíamos entender como aplicar essa visão de maneira audiovisual. O simbolismo baseia-se naquilo que experimentamos de maneira pessoal e direta em nossa vida. Toda atividade é simbolismo fundamental. O universo está constantemente tentando chegar até nos para dizer ou ensinar algo, mas nós o rejeitamos o tempo todo.”
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TEATRO SAGRADO
texto: Lee Worley; fotos: Douglas Dickel
Apesar das diferenças em seus estilos e em seus trabalhos, o que é consistente nas ideias desses líderes teatrais é que a atuação, conduzida por atores, tenta empreender um processo de transformação, dos atores e/ou do público. A missão do teatro sagrado, tanto asiático como ocidental, tradicional ou inovador, é atuar como veículo de transformação.
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A HABILIDADE NEGATIVA: JACK KEROUAC E A ÉTICA BUDISTA
+ Não cabe, Cigarra, Cicatriz, Pesadelo e Sonho, de Marcelo Sahea
texto: Allen Ginsberg; poemas visuais de Marcelo Sahea

É possível tomar nossa existência como um ‘mundo sagrado’, ver este lugar como espaço aberto e não como um vazio escuro e claustrofóbico. É possível ter uma relação amistosa com as naturezas de nosso ego, é possível apreciar o jogo estético das formas na vacuidade, e existir nesse lugar como reis majestosos de nossa consciência. Mas, para isso, teríamos de abrir mão de agarrar-nos para que tudo seja como em nossos devaneios pensamos que deva ser. [...] Penso que é aqui que Kerouac foi pego como católico, em última instância, porque não penso que ele tenha superado esse medo da primeira nobre verdade.
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UMA INTENÇÃO INABALÁVEL: ENTREVISTA COM PHILIP GLASS
texto: Philip Glass e Helen Tworkov; fotos: François Bouchet e Jean-Pierre Dalbéra; música: Philip Glass e Constance DeJong
Philip Glass fala sobre Gandhi, arte, budismo, cristianismo, justiça social e compaixão.
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DHARMA OU DRAMA: A ARTE DE SER QUEM SOMOS
+ “Smoking feminino risca-de-giz de Yves Saint-Laurent e o grafismo
da pintura corporal indígena Kaiapó-Xikrin do Cateté”
+ “A descoberta da elegância”, de Chögyam Trungpa

texto: Rodrigo Bueno; imagens: Rodrigo Bueno, Bruno Galan e Douglas Garcia; fotos: Douglas Garcia e Andrea Roth

“A impermanência é a lei máxima da vida em eterno movimento. Tudo se transforma à nossa volta, enquanto a morte e a vida, faces da mesma moeda, regem nossos sentidos diante do terror e do encantamento. Essa dança dual nos leva constantemente a reinventar nossa relação com o planeta, e com nossa própria percepção.”
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MAIS PESSOAS
fotos: Henrique Raucci

Participantes das oficinas com Meredith Monk no Brasil, realizadas por Dharma/Arte.
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VISLUMBRES DE ESPAÇO: O DOM DO PRINCÍPIO FEMININO
+ “A galinha e o ovo”, de Chögyam Trungpa

texto e fotos: Alice Haspray

Qual é o dom do princípio feminino em nosso mundo? Como recebemos esse dom? Que a energia feminina seja mal compreendida, ignorada ou temida, isso é algo com profundo significado para a vida tanto de homens como de mulheres, e para qualquer aspiração que tenhamos de criar um mundo melhor.
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PESSOAS
fotos: Henrique Raucci e Rodrigo Almeida Prado

Público e convidados nos eventos com Meredith Monk no Brasil, realizados por Dharma/Arte.
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DHARMA/ARTE: A PERCEPÇÃO VERDADEIRA
Dharma/Arte

Em 2010, Dharma/Arte publicará o livro Dharma/arte: a percepção verdadeira, de Chögyam Trungpa, com introdução de Meredith Monk, escrita especialmente para a edição brasileira. Dharma/arte: a percepção verdadeira é uma coletânea de ensaios sobre a arte e o processo criativo.
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BONDADE FUNDAMENTAL
Chögyam Trungpa

O propósito de dharma/arte é superar a agressão. [...] se nossa mente está preocupada com a agressão, não pode funcionar da maneira adequada. Por outro lado, se nossa mente está preocupada com a paixão, existem possibilidades.
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PROCESSOS CRIATIVOS E LIDERANÇAS AUTÊNTICAS
texto: Dharma/Arte; foto: Ken Miller

Em sinergia com suas atividades no campo artístico — baseadas na arte contemporânea, na educação contemplativa e no aprendizado experiencial —, Dharma/Arte desenvolve atividades nas áreas de Processos Criativos e Lideranças Autênticas, com o objetivo de promover o diálogo entre a criatividade nas artes e a criatividade essencial às diversas iniciativas de inovação social e organizacional.
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DHARMA, ARTE E CRIATIVIDADE
texto:
Dharma/Arte; fotos: Henrique Raucci e Andrea Roth
Em nossa era de transformações sem precedentes, o desejo por insights reveladores é mais forte do que nunca. O processo criativo como ritual pode ser caminho para a redenção, trazendo a experiência da transformação pela qual tanto ansiamos. Esta é a proposta de Dharma/Arte.
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Este blog apresenta textos e imagens que inspiram a proposta de Dharma/Arte, e seu objetivo é estimular a reflexão e participação de todos.  Nosso blog é aberto à discussão: comente e participe!

Apesar das diferenças em seus estilos e em seus trabalhos, o que é consistente nas ideias desses líderes teatrais é que a atuação, conduzida por atores, tenta empreender um processo de transformação, dos atores e/ou do público. A missão do teatro sagrado, tanto asiático como ocidental, tradicional ou inovador, é atuar como veículo de transformação.